terça-feira, 16 de outubro de 2007

A alma de Aninha

O quarto de Cora Coralina.


Cora Coralina revela um atormentado eu lirico aos seus leitores com sua poesia de forte conteúdo psicológico social. A poetisa em “Minha Infância”, “Vintém de Cobre”, “Todas as Vidas”, “Minha Cidade” e “Antiguidade”, retorna ao seu interior, isto é, as suas experiências da infância e juventude, nos mostra com intensa qualidade lírica os costumes dos adultos de sua época em relação a educação dos filhos, seu desconforto com a própria aparência e as transformações comportamentais e fisicas na sociedade. Algumas dessas passagens podem ser confirmadas nos trechos desses poemas encontrados na obra Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais. Veja as citações desses trechos:



· “Minha Cidade”


“Eu sou a dureza desses morros,


revestidos,


enflorados,


lascados a machado,


lanhados, lacerados.


Queimados pelo fogo.


Pastados


Calcinados


e renascidos.


Minha vida,


meus sentidos,


minha estética


todas as vibrações


de minha sensibilidade de mulher,


têm, aqui, suas raízes.



Eu sou a menina feia


da ponte da Lapa.


Eu sou Aninha”







· “Antiguidades”



“ Criança, no meu tempo de criança,


não valia mesmo nada.


A gente grande de casa


usava e abusava


de pretensos direitos


de educação”.






· “Vitém de Cobre”

“O tempo foi passando, foi levando:


Minha bisavó, meu avô, minha mãe, minhas irmãs.


A velha casa.


Os velhos preconceitos


De cor, de classe, de família.


O tempo, velho tempo que passou,


Nivelou muros e monturos.


Remarcou dentro de mim


A menina magricela, amarela


Do tempo do cinquinho”.






· “Minha Infância”



“Sem carinho de Mãe.


Sem proteção de Pai...


- melhor fora não ter nascido.



E nunca realizei nada na vida.


Sempre a inferioridade me tolheu.


E foi assim, sem luta, que me acomodei


Na mediocridade de meu destino”.



3 comentários:

Andreisson Martins disse...

tentarei não me acomodar na mediocridade do meu destino

Anônimo disse...

Essa moça era realemtne espetacular.

O blog fiko muito bom...

Parabéns.

nina disse...

Belissíma homenagem a esta ilustre mulher,sensível, forte, frágil, iluminada e talentosa!
Parabéns para nós, o blog é maravilhoso.

Denise Leite
Vitória/ES.

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